terça-feira, 26 de novembro de 2013

A águia bicéfala e seus significados.

    A águia de duas cabeças (águia bicéfala) é um importante símbolo dos Altos Graus do Rito Escocês Antigo e Aceito. Sua figura faz parte dos brasões do Grau 30 (Cavaleiro Kadosch), Grau 32 (Sublime Príncipe do Real Segredo) e Grau 33 (Inspetor Geral do Rito).
águia de lagash

   Além de estar presente nos brasões desses importantes graus, a águia bicéfala é a peça central do estandarte do Rito Escocês Antigo e Aceito.
   A primeira referência histórica sobre a águia de duas cabeças é a do pássaro encontrado num antigo brasão da cidade de Lagash, na região da Suméria, atual Iraque, que existiu, possivelmente, há mais de quatro mil anos.
   Posteriormente, encontramos a águia de duas cabeças como símbolo em estandartes, brasões ou bandeiras: no Império Bizantino, no Sacro Império Romano Germânico, no Império Russo (a partir do século XV) e nos emblemas da Sérvia, Montenegro e Toledo, entre outros povos.
águia de lagash
   De acordo com o livro História do Supremo Conselho do Grau 33 do Brasil, do escritor e pesquisador maçom KURT PROEBER: "a origem da Águia Bicéfala como emblema dos Supremos Conselhos, surgiu pela primeira vez na França em 1759 e foi usada pelo Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente".
   O simbolismo da águia bicéfala é variado, contudo sua apresentação descrita no Apêndice da Grande Constituição Escocesa de 1786, nos permite interpretar o seu significado. O Artigo I dessa Grande Constituição estabelece que no centro do estandarte do Supremo Conselho haverá uma águia com duas cabeças, com asas abertas pretas, bicos e pés de ouro, segurando nas garras uma espada antiga, feita de ouro, da qual está pendente uma fita com as palavras DEUS MEUMQUE JUS (Deus e meu direito), escritas em dourado. A águia deve possuir acima das suas cabeças, uma coroa de ouro.
águia de lagash
O Supremo Conselho do Brasil do Grau 33 para o R:.E:.A:.A:.
 adota a águia bicéfala como elemento central do seu emblema.
    A águia tem o significado histórico ligado ao poder imperial.  Os exemplos mais evidentes são: a águia adotada como emblema pelo imperador Carlos Magno, na Idade Média, e a águia adotada como símbolo dos exércitos do antigo Império Romano (L'Aquila Romana).
águia romana
Os exércitos romanos desfilavam nas cidades conquistadas
portando à frente a águia, como símbolo das suas legiões.
   As duas cabeças, olhando simultaneamente para o lado direito e para o lado esquerdo, têm como significado o alcance do poder imperial, que se estende do Oriente ao Ocidente.
   A coroa dourada é uma referência a Frederico II, rei da Prússia, monarca europeu que, conforme a tradição maçônica, foi o signatário simbólico da Grande Constituição Escocesa de 1786, considerado por alguns estudiosos como o primeiro Soberano Grande Comendador do Rito Escocês Antigo e Aceito.
   A espada é um reconhecido símbolo da força de governar, ou seja, da força consolidada pelo poder da espada (poder militar).
   As asas abertas simbolizam, entre outros aspectos, o antigo papel da águia como dominadora das alturas e de mitológica mensageira dos deuses.
aguia lagash

15 comentários:

  1. Agradecido ao Consistório, por cada vez mais engrandecer os meus conhecimentos. Sei que estou nesta sociedade, porém focado pela doutrina anterior, que serve para o meu crescimento, Como gosto muito de história geral, estes links são de alta relevância.

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  2. Caro Irmão Artur Valente, obrigado pela participação.
    Os estudos divulgados pelo Blog do Consistório Nº 1 manterão o foco na doutrina, história e filosofia da Maçonaria. Esperemos que continues gostando e divulgando.
    Receba nosso tríplice abraço.

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    1. Obrigado pelo apoio e pela visita ao Blog.
      Receba nosso tríplice abraço.

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  4. bom dia, sou Eduardo dos Reis - MI e Grau 32º
    Gostaria de saber qual definição porque a "aguia de Lagasch" tem as assas voltadas para cima e tambem encontramos a mesma aguia com as asas voltadas para BAIXO

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    1. Asas para baixo (jurisdição Sul) Asas para cima(jurisdição Norte).

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  5. Caro Irmão Eduardo dos Reis, ainda não conseguimos encontrar uma resposta convincente acerca da posição das asas da águia bicéfala.
    É possível encontrar especulações variadas sobre esse assunto. Contudo, é possível reputá-las como meras opiniões pessoais, pois não tem convergência com os princípios da simbologia maçônica ou da heráldica.
    Receba nosso tríplice abraço.

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    1. Boa noite! Acredito que se só buscarmos respostas que só convergem com os princípios da simbologia no âmbito superficial, não encontraremos uma resposta a altura do significado mais remoto da águia bicéfala. Caso contrario andaremos em círculos sem atingir o centro do principio criador.

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    2. Asas para baixo(jurisdição Sul), Asas para cima (jurisdição Norte).

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  6. Parabéns por esclarecer tão bem e facilmente a sua visão maçonica e geral simbologia da aguia.
    Embora venho recebido mais reclamações do que alivios da maçonaria aqui em Sao Paulo.
    Carinhosamente Grato.
    Deus te ilumine.

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  7. Muito bom... Gostei das explicações... Um T.'.F.'.A.'.

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  8. Elirio
    Olá boa noite, gostaria de saber onde cursar os graus filosóficos e duração de cada

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  9. Viajar nas asas da história é facinante !

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  10. Poderia nos nos passar a sua percepção sobre a espada com águia de 2 cabeças de ramses II e, se teria alguma relação com os israelitas ou Moisés? Somos todos aprendizes em busca de conhecimento!!! Abraço!

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  11. Caro Carlos Eduardo, boa tarde.
    Conforme vestígios arqueológicos encontrados na região da atual Índia e na antiga Suméria, a representação de pássaros com duas cabeças ocorreram em algumas regiões da Ásia, no período anterior a Ramsés II (reinou entre 1279 a.C. e 1213 a.C.).
    O maior exemplo foi o uso desse símbolo pelo povo hitita e pelos babilônios, esses últimos aproximadamente 2.000 anos antes de Cristo.
    A migração de símbolos religiosos, místicos, culturais e de poder ocorria juntamente com as migrações populacionais e os fluxos de comércio entre os povos.
    Durante o reinado de Ramsés II, o Egito já havia estabelecido várias rotas comerciais com os povos da Ásia, bem como recebido populações dessas regiões que cruzavam a Península do Sinai.
    A migração da representação da águia e suas variações se estendeu pelas regiões costeiras ao Mar Mediterrâneo, atingindo o Mundo Grego e, posteriormente, tornando-se um dos importantes símbolos do Império Romano.
    Deste modo, é possível supor que a associação de Ramsés II à águia de 2 cabeças pode estar relacionada às antigas trocas culturais entre aqueles povos asiáticos, africanos e do Oriente Médio.
    Como referência complementar, sugiro que leia as pesquisas abaixo:
    - Macqueen. 2003 The Hittites and Their Contemporaries in Asia Minor. Reprinted. Thames & Hudson, New York. Originally published 1986, revised ed. Thames & Hudson, New York.
    - Mundkur, Balaji, H.-G. Bandi, Stephen C. Jett, George Kubler, William Breen Murray, and Charles R. Wicke 1984 The Bicephalous “Animal Style” in Northern Eurasian Religious Art and Its Western Hemispheric Analogues [and Comments and Reply]. Current Anthropology 25(4): 451-482.
    Obrigado pela tua participação.
    Receba nosso tríplice abraço.

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