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sexta-feira, 3 de abril de 2015

Os 4 elementos e o Rito Escocês Antigo e Aceito (O fogo)

    Dando continuidade ao estudo dos Quatro Elementos (terra, água, ar e fogo) e o Rito Escocês Antigo e Aceito.
Links dos estudos anteriores => Introdução - A terra 
A água - O ar
   Entre os 4 Elementos, o fogo é o que está mais relacionado à intensa espiritualidade.
     Muitas tradições esotéricas e religiosas, antigas e atuais, utilizam o fogo em suas cerimônias.
     O primeiro significado atribuído ao fogo é o que está relacionado às suas propriedades de transformação e de destruição, muito usadas na Alquimia
     Na Antiguidade, a crença no poder transformador do fogo originou, nas civilizações grega, chinesa e egípcia, o mito da fênix, um animal lendário que, ao morrer, se auto-consumia em chamas e renascia das próprias cinzas.
     Clique no link abaixo e assista uma dramatização da auto-combustão e do renascimento de uma fênix.
Link para => Renascimento da fênix
    Na Mitologia Grega, Hefesto, o deus do fogo, dos artesãos e dos ferreiros, usava o fogo para transformar metais nas ferramentas dos deuses.
O tridente de Poseidon, o escudo impenetrável de Zeus, 
o cinto afrodisíaco de Afrodite e o as sandálias aladas de 
Hermes foram alguns utensílios produzidos por Hefesto.
    Na tradição hebraica, conforme o Livro do Levítico, os animais eram queimados no altar dos holocaustos com a finalidade de purificar o povo hebreu dos seus pecados.
O Altar dos Sacrifícios era peça central nas cerimônias de purificação hebraicas.
   Segundo a tradição dos Evangelhos, João Batista anunciou a vinda do Salvador, o qual faria o batismo com fogo e com o Espírito Santo.
    Na Alquimia, a propriedade purificadora do fogo era utilizada através do processo de calcinação, o qual consistia em submeter uma substância ao calor intenso, a fim de retirar a água e as substâncias voláteis, reduzindo a substância a cristais mais puros.
    Ainda na Alquimia, o poder transformador do fogo é destacado na palavra INRI, abreviatura de Ignis Natura Renovatur Integra (traduzindo: o fogo renova toda a natureza), a qual é estudada no Grau 18 (Cavaleiro Rosacruz) do Rito Escocês Antigo e Aceito.

O Inferno era tido como um
local com chamas eternas,
visando purificar os pecadores.
  Na Idade Média, a Igreja Católica, através da Santa Inquisição (ou Tribunal do Santo Ofício), adotou como punição, a condenação ao fogo, pois considerava-o capaz de purificar os espíritos dos pecadores.
   Deste modo, tornaram-se comuns as sentenças de morte através da queima na fogueira, aos réus condenados por heresia, bruxaria e outros crimes contra a Santa Igreja.

   No Rito Escocês Antigo e Aceito, a simbologia da purificação pelo fogo (Prova do Fogo) é utilizada durante as cerimônias de iniciação.
    O segundo significado para o fogo é a sua associação à presença divina e ao mundo espiritual.
   Em tradições antigas, a cremação dos mortos era a forma de transformar o corpo em uma substância em condições de retornar ao mundo espiritual, em oposição ao enterro, o qual devolvia o corpo à sua origem material (a terra).
    No Zoroastrismo, o fogo é um dos símbolos do deus Ahura Mazda e seus seguidores realizam o culto do fogo.
Momento de oração de uma seguidora do culto do fogo.

    Na tradição hebraica, Yahweh, o Deus Único hebreu, apresentou-se a Moisés na forma de uma vegetação em chamas (sarça ardente).
     Na tradição católica, Isabel anunciou à sua prima Maria, mãe de Jesus, o nascimento de seu filho, João Batista, através de uma grande fogueira no alto de um monte
   O terceiro significado importante do fogo são suas propriedades de fornecer energia e de iluminar.
     Na tradição bíblica, após a expulsão de Adão e Eva, querubins portando espadas que emitem fogo (Espada Flamejante) guardam a entrada do Jardim do Éden.
    Especialmente no Grau 1 (Aprendiz) do Rito escocês Antigo e Aceito, a Espada Flamejante simboliza o poder do Venerável Mestre.
   Na Mitologia Grega, Hélio, deus do sol, simbolizava a energia e a luz que diariamente eram divinamente oferecidas à Humanidade.
A bela deusa Aurora (o alvorecer) vinha à frente do cortejo
do deus Hélio (o sol), o qual atravessava o céu durante o dia.

   Ainda na Mitologia Grega, o deus Prometeu roubou de Zeus, rei dos deuses, a chama do intelecto divino e o concedeu ao homem, tornando-o, a partir daí, um ser que pensava. 

    No Antigo Egito, o faraó Akhenaton impôs uma religião de adoração ao sol, na qual o astro-rei simbolizava a luz e a vida ofertados pelo deus único Aton.
O monoteísmo egípcio encerrou-se logo após o reinado de Akhenaton.

   Na tradição católica, as chamas das velas são usadas para destacar as imagens de santos e de lugares sagrados.

    Na Maçonaria, muitos graus utilizam a chama das velas como forma de iluminar ritualisticamente as sessões.

    No Rito Escocês Antigo e Aceito, a Prova do Fogo é um dos importantes episódios das cerimônias de iniciação.

  No Grau 2 (Companheiro), a Estrela Flamígera, portadora do fogo e da luz, dá origem a um importante estudo sobre a simbologia maçônica.
Estrela Flamígera

   No Grau 14 (Perfeito e Sublime Maçom), a aparição de Yahweh a Moisés é destacada pelo Sinal do Fogo e de Ordem.
O pramantha usa a fricção
para produzir a chama.
   No Grau 18 (Cavaleiro Rosacruz), o fogo ritualístico é gerado simbolicamente pelo pramantha e o pelo arani.
  No Grau 29 (Grande Escocês de Santo André), são apresentados o Sinal do Fogo e Anjo do Fogo como importantes elementos ritualísticos na execução desse Grau.

   Clique nos links abaixo para assistir os vídeos sobre o uso do fogo em várias tradições.


    Encerrando, clique no quadro abaixo e ouça o poema O amor é fogo que arde sem se ver, de Luis de Camões.








quarta-feira, 18 de março de 2015

Os 4 elementos e o Rito Escocês Antigo e Aceito (A água)

    Dando continuidade ao estudo dos Quatro Elementos (Terra, Água, Ar e Fogo) e o Rito Escocês Antigo e Aceito.
Link para => A terra
   Entre os quatro elementos primordiais, a água é considerada como aquela que é fundamental para a existência da vida.
     Diferentemente da terra, que fornece a matéria-prima dos corpos, a água é a responsável pelo funcionamento dos seres vivos (processos circulatórios, digestivos, linfáticos, respiratórios etc.).
     Na Antiguidade e na Idade Média, a Alquimia estudava a água como portadora do “fluxo da vida”. Com essa crença, os alquimistas tentavam produzir um tipo de água com poderes especiais, o Elixir da Longa Vida.
O Elixir da Longa Vida facilitaria "o fluir da vida" 
pelo corpo humano e curaria todas as doenças. 
    A Alquimia da Idade Média entendia que a água detinha as capacidades de dissolver quaisquer substâncias e de retirar suas impurezas. Deste modo, os alquimistas utilizavam os processos de dissolução e de lavagem como formas de tornar mais puros seus produtos.
No Baphomet, as inscrições 
solve coagula referem-se 
à purificação alquímica. 
   A crença nas propriedades purificadoras da água e o seu uso nas cerimônias de iniciação, na recepção de novos membros e em rituais sagrados é muito utilizado por várias religiões e ordens místicas.
    O Cristianismo, através do batismo, o Judaísmo, através do mikvá (ou mikvah, ou mikvé), o Hinduísmo, através do banho religioso no rio Ganges, ou mesmo o "banho festivo" que se dá em novos membros de sociedades secretas ou universidades são exemplos de tradições que usam a água para dissolver o "homem anterior", pecador e impuro, para emergi-lo purificado e digno de fazer parte do novo grupo.
    Em algumas cerimônias de purificação e de ablução (banho ritual), a água recebe antes uma consagração mística especial, passando a ser chamada de água lustral.
     Ao longo da História, as "águas sagradas" deram origem a locais e a recipientes consagradosEntre eles, os mais conhecidos são: a pia batismal, nas igrejas católicas, os caldeirões mágicos celtas, o Santo Graal, o Mar de Bronze, no Templo de Salomão, a Taça da Amargura maçônica, os leitos dos rios Ganges, Jordão e Estige e o tanque de Siloé, em Jerusalém.
O tanque (ou reservatório) de Siloé é local citado na Bíblia, 
como o local onde Jesus curou um homem nascido cego.
   Na Maçonaria, personagens como: João Batista, que batizou Jesus no rio Jordão; Moisés, o nascido das águas; o deus Osíris, atirado no rio Nilo após ter sido esquartejado, e o patriarca Noé, estão diretamente relacionados à mitologia aquática.
   No Rito Escocês Antigo e Aceito, a água é usada em pequenas abluções no Grau 1 (Aprendiz), durante a Prova da Água, e no Grau 15 (Cavaleiro do Oriente). 
O arco-íris foi a marca no céu
da aliança entre Yahweh e Noé.

   No Grau 21 (Noaquita, ou Cavaleiro Prussiano), a  narrativa da Mitologia do Dilúvio simboliza a decomposição da humanidade impura pelas águas enviadas como castigo divino.

  Após a purificação pelo Dilúvio, ocorreu a reintegração do Homem ao amor divino, através da aliança firmada entre Yahweh (o Deus Único dos hebreus) e o patriarca Noé. Essa aliança assegurava que Deus não enviaria uma nova inundação como castigo aos homens. 

    No Grau 29 (Grande Escocês de Santo André), a água é um elemento importante. Nesse grau são ensinados os mistérios do Sinal da Água e do Anjo da Água.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

A Alquimia e o Grau 31

    Os estudos realizados no Grau 31 (Grande Inspetor Inquisidor Comendador) abordam, entre outros temas, os caminhos que a Alquimia aponta para o aperfeiçoamento espiritual do Homem.
Os alquimistas realizaram pesquisas nas área da
Química, Metalurgia, Astrologia e da Religião.
 
    A Alquimia é uma antiga tradição mística que crê na purificação como forma de aprimorar as substâncias líquidas (criando o Elixir da Longa Vida) e as substâncias sólidas (descobrindo a Pedra Filosofal), a fim aperfeiçoar toda a Natureza.
    Os símbolos da purificação usados pela Alquimia foram adotados pelo Rito Escocês Antigo e Aceito como alusão ao aperfeiçoamento moral do Homem.
Os alquimistas usavam símbolos específicos
para representar cada substância que pesquisavam.
  Dentre os símbolos da Alquimia mais usados para representar o processo de aperfeiçoamento moral estão: a cor negra, a cor branca e a cor vermelha. Na Alquimia, estas cores receberam os seguintes nomes: nigredo (cor negra), albedo (cor branca) e rubedo (cor vermelha).
   No Grau 31, os estados de evolução moral do Homem são representados por três aves, as quais possuem um profundo significado nas mitologias grega, celta e cristã. São elas: o corvo (a cor negra), a pomba (a cor branca) e a fênix (a cor vermelha).
   A fim de complementar o entendimento deste estudo, acesse o link abaixo.

domingo, 15 de junho de 2014

A Alquimia e o Rito Escocês Antigo e Aceito

    Na Europa, durante a Idade Média, a Alquimia viveu um período de grande desenvolvimento.
  Diversos estudiosos, místicos e religiosos (entre eles: Paracelso e Nicolas Flamel) dedicaram grande parte de suas pesquisas em laboratórios, na busca por produtos, substâncias e medicamentos com propriedades mágicas.
  Para auxiliar na realização das suas pesquisas, os alquimistas usavam antigos conhecimentos, obtidos na Cabala judaica, no Hermetismo egípcio e no misticismo cristão e árabe.
   Um dos conhecidos objetivos dos alquimistas era a criação de um processo de purificação (transmutação) que transformasse metais inferiores, como o chumbo, em ouro (busca da Pedra Filosofal). Essa busca foi chamada Magnum Opus (ou Grande Obra, ou Grande Obra Alquímica).
     Outros estudos que mobilizaram os alquimistas, foram as pesquisas voltadas ao desenvolvimento de uma medicação que prolongasse indefinidamente a vida humana (Elixir da Longa Vida, ou Elixir da Vida Eterna).
   Ainda na Idade Média, foram realizados estudos alquímicos baseados na crença de que, a partir dos quatro elementos básicos da natureza (ar, água, fogo e terra), era possível a criação de um homúnculo (nas tradições da Cabala, era chamado de golem). Segundo essa crença, seria possível criar um pequeno homem em laboratório, a partir de materiais e processos apropriados.

Consistório de Príncipes do Real Segredo
Para alguns alquimistas, dentro do espermatozóide já existia o
homem pronto, em estado minúsculo, aguardando apenas um
útero para desenvolver. Deste modo, sob determinadas condições,
seria possível desenvolver o homúnculo em laboratório.
    Todos esses experimentos tinham como base a fé dos pesquisadores em resultados mágicos, que misturavam pesquisas laboratoriais com antigos rituais. 
   Para realizarem seus trabalhos, esses primeiros “cientistas” desenvolveram instrumentos de laboratório que realizavam processos como: filtração, destilação, evaporação, dissolução, calcinação e centrifugação. Muitos desses instrumentos são usados ainda hoje pela Ciencia Moderna.
Maçonaria Mistérios
Nos laboratórios dos alquimistas poderiam ser encontrados:
 filtros, retortas, decantadores, cadinhos, destiladores e fornos. 
    A Maçonaria e, especialmente, o Rito Escocês Antigo e Aceito, tomando por base o desejo de "transmutar" simbolicamente espírito humano, assimilou diversos símbolos e tradições da Alquimia.
    Os primeiros símbolos que se pode citar, são encontrados da decoração da Câmara da Reflexões, entre eles estão o sal, o enxofre e o crânio com tíbias. Os dois primeiros, significam os elementos típicos da transformação alquímica e o terceiro, relembra que é através da morte simbólica, que a vida se purifica.

maçonaria
Para a Alquimia, os emblemas relacionados à morte 
tem o significado de purificação e renovação.
    Outra influência maçônica da Alquimia, é o estudo do personagem Tubalcaim, encontrado no Grau 3 (Mestre Maçom), o qual faz referência ao princípio da purificação pelo fogo, através da metalurgia.
Na mitologia grega, Tubalcaim está associado ao deus Hefesto
(ou Vulcano, para os romanos), o ferreiro e artesão dos deuses. Conforme
a lenda, Hesfesto detinha a antiga tecnologia de transformação dos metais
.
   No Grau 32 (Sublime Príncipe do Real Segredo), a principal referência à Alquimia é a presença do filósofo Hermes Trimegista na Cripta das Grandes Luzes (ou Cripta dos Grandes Filósofos). Esse personagem escreveu as obras Corpus Hermeticum e Tábua de Esmeralda (ou Tábua Esmeraldina), as quais lançaram as bases para a criação da Alquimia.
    Clique no link abaixo e acesse o vídeo sobre os alquimistas das Idade Média, que complementa esse estudo.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

O símbolos alquímicos da morte e o Rito Escocês Antigo e Aceito.

    Os símbolos da morte estão presentes direta ou indiretamente em praticamente todos os graus do Rito Escocês Antigo e Aceito. 

     São vários os quadros, músicas, aromas e objetos que, ao longo do curso maçônico, relembram que toda existência, alegria e sofrimento tem um fim
   Os significados de um cada desses elementos simbólicos variam de acordo com os ensinamentos de cada grau, podendo o mesmo elemento ter significados diferentes em Graus diferentes.

Na figura acima, são apresentados alguns símbolos associados 
à morte encontrados no Rito Escocês Antigo e Aceito
    Um dos importantes significados da morte no Rito Escocês Antigo e Aceito está relacionado ao processo de aperfeiçoamento e renovação estudado na Alquimia.
  Nessa visão, simbolicamente, a Filosofia Maçônica entende que a morte física, ou mesmo a "morte psicológica", são necessárias para o renascimento e o aprimoramento do Homem.
O gráfico relata o percurso alquímico do Homem ao longo sua existência.

      Ensinava a Alquimia que é necessário ao Homem que sua matéria se "dissolva" e que ele "desça" ao Inferno, à Mansão dos Mortos (no Cristianismo), ao Hades, Tártaro (nas mitologias grega e romana), aos Mundos Inferiores (em diversas tradições) para que ocorra sua purificação e renascimento.
    Um importante símbolo alquímico e maçônico relacionado à morte é a caveira, a qual representa o estado de morte física do Homem.
  Outro símbolo importante é o mercúrio, o qual era considerado pelos alquimistas como o solvente universal, com poder de tudo destruir ou dissolver.
O Baphomet é um símbolo alquímico, que possui nos
 braços as inscrições solve e coagula, simbolizando as propriedades
 de degradação e de reintegração da matéria, ou do ser humano.

    As regiões subterrâneas (ou infernos), como símbolo da morte, estão associadas às antigas crenças (egípcia, grega e romana), as quais entendiam que, com a morte do corpo, o espírito do defunto habitaria em regiões abaixo da superfície terrestre.

   Por fim, a escuridão e a sombra são os símbolos associados à morte psicológica. Conforme afirmava a Alquimia, no momento extremo do sofrimento psicológico não é possível enxergar a Luz.

  No Rito Escocês Antigo e Aceito, personagens como: Hércules, no Grau 1 (Aprendiz Maçom); Osíris, no Grau 31 (Grande Inspetor Inquisidor Comendador) e Jesus de Nazaré, no Grau 32 (Sublime Príncipe do Real Segredo), desceram ao Mundo dos Mortos para poderem cumprir as missões às quais estavam destinados.

    Complementando este estudo, acesse os links abaixo:
Link para => Osíris
Link para => Jesus de Nazaré